Uma História de Solidão

O tema de pedofilia na Igreja está em alta no cinema e na literatura.Ano passado, dois filmes trataram do assunto: o ótimo e "oscarizado" Spotlight e o imperdível filme chileno O Clube. Agora, o tema de padres pedófilos chega aos livros pelas mãos de John Boyne, o bom e consagrado autor de O Menino do Pijama Listrado.

Em Uma História de Solidão, Boyne acompanha a vida de Odran Yates, em diferentes fases de sua vida. Começa com o tímido garoto que é forçado a seguir o caminho eclesiástico depois que a mãe tem uma visão. Seguido, também,  pela vida dentro  do seminário, onde Yates cria fortes laços de amizade com Tom Cardle, um jovem rebelde e obrigado a cursar o seminário.

Além da juventude de Odran, Boyne narra passagens quando ele já está formado como padre e tendo que enfrentar o grave problema que citei acima: a pedofilia na Igreja.

O tema, obviamente, não é nem um pouco leve e fácil de ser tratado. É denso, intenso, complexo. E Boyne consegue fazer com que tudo seja tratado de uma maneira um pouco mais leve, apesar do tema ainda assombrar e assustar.

Além disso, o autor irlandês consegue dar um desenvolvimento complexo e impecável para os personagens, principalmente para Odran. Ao trafegar por diversas camadas e momentos de sua vida, Boyne consegue desnudar o interior do personagem. A cada página virada, uma camada da psicologia de Odran era desvendada.

Com esse trunfo em mãos, Boyne oferece um final intenso e muito bem elaborado. É surpreendente, apesar de várias pistas ao decorrer do romance indicarem tal acontecimento. É perturbador e toda a leveza empregada pelo autor ao decorrer do livro ajuda a causar ainda mais espanto no leitor.

Ótimo livro, que faz com que Boyne se torne, ainda mais, um símbolo da literatura contemporânea.



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