Escola Sigma de Heróis | Capítulo 1

(Foto Ilustrativa: Lori, Andy e Caspian)

Capítulo I
Andy

Quando havia deixado meus pais em casa, não sabia o que fazer, dizer ou simplesmente o que deixar a eles. Três anos atrás minha irmã tinha nos deixado e só voltava aos natais. Ou seja, nos vimos apenas três vezes em três anos. Lori conseguiu ganhar uns centímetros com o passar do tempo, mas no último natal descobrimos que estou maior que ela, o que não julgo ser difícil. 
Agora era minha vez de brilhar. Lori com certeza já havia conquistado seu espaço na Escola Sigma de Heróis. Espero conseguir algum bom grupo para participar de torneios e competições. Se para entrar eu tiver que jogar xadrez com alguém, já poderia dizer que estou mesmo dentro. 
- Boa sorte, filho. – Diz minha mãe dando-me um beijo na testa. 
- Mãe! Não me beije na testa. Serei um super-herói agora, não posso ficar recebendo beijos da senhora! – reclamo. 
- Oh, claro. Meu super-herói – e assim ela cai na gargalhada. 
Solto uma bufada. Não adianta falar sério com meus pais, eles sempre me levam na brincadeira. Talvez porque eu seja meio desajeitado, tenha cinquenta e oito quilos com um metro e setenta de altura. Mas isso não importa, não preciso de força para ser um super-herói! Ou será que preciso? 
- Filho, suas malas? – pergunta meu pai. 
- Já estão dentro do seu carro de oito portas que o senhor deixa no modo invisível para que ninguém veja. Espero que não se importe... me adiantei e vi a onde o senhor estacionou quando chegou aqui. Muita audácia sua deixa-lo três metros acima do chão na garagem de casa no modo “levitar”, pai.
Pela primeira vez em semanas eu consegui deixar meu pai enrubescido e sem quaisquer palavras. Minha mãe voltou a falar por ele.
- Bem... Coloque a venda então, filho. – Ela me entrega uma venda de cor preta e tampa meus olhos. 
- Legal! Gosto do sistema de heróis... Não deixar que os novos alunos vejam como chegar na escola, é realmente demais! – digo empolgado. 
- É sim – concorda meu pai, voltando a falar. – Agora vamos. 
- Pai, tenho algo a dizer antes de ir... – comento. 
- Seja breve, estamos atrasados e já temos três ocorrências de assalto na cidade! – ele responde com pressa e impaciente. 
- É sobre os meus poderes... – digo insistindo.
- Ah, não esquente a cabeça com isso, Andy. Você terá total controle da memória fotográfica lá na escola, assim como Lori. 
- Mas é exatamente sobre isso que eu quero conversar! 
- Coloque a venda – diz ele tomando a iniciativa e amarrando por mim -, precisamos partir agora! 
Minha mãe me da mais um beijo na testa e dessa vez eu deixo passar, não há mais porque reclamar. Ela estará longe agora e só irei vê-la no natal. 

...

O que dizer sobre a escola então? Pois é. Estou diante dela agora mesmo. Minha irmã já deve ter dito todos os detalhes e mais um pouco. Um castelo misturado com um prédio inglês rústico de uma universidade superchique, típico dos melhores super-heróis. Janelas por todo canto, trazendo um pouco de sol para iluminar as manhãs de cada sala e pedras com texturas antigas para deixar o tempo dentro mais ameno. Com certeza a escola dispensava exageros, exceto de superpoderes, é claro. 
Diante da porta gigante e larga, eu começo a ter um ataque de perguntas sobre o que será de mim a partir de agora. Quem seria meu colega de quarto? Será que ele tem um superpoder bom? Seria ótimo se ele soubesse jogar xadrez! Podemos passar horas e mais horas jogando xadrez e conversando sobre nossos super-heróis favoritos! O pensamento me deixou ainda mais ansioso para entrar logo e conferir tudo o que viria a seguir.
- Pai, vamos, rápido – seguro seu braço e começo a empurrá-lo. 

...

Quando foi dado o primeiro passo para dentro da porta, meu coração começou a disparar ainda mais. De início tudo parecia como uma escola qualquer, a entrada dava direto a um salão a céu aberto, várias colunas estavam alinhadas e pareciam servir de sustento para o andar de cima. As colunas faziam um formato de U e cada passagem entre elas, dava em lugar diferente. 
Os novatos estavam com algum super-herói no centro do salão a espera de alguém para guia-los ou algo parecido. Avisto uma garota alta e com excesso de peso mais a frente. Sua pele era de um tom moreno e seus cabelos cacheados pareciam feitos de pedra, enquanto que seu corpo lembrava um botijão – só não posso dizer isso em voz alta, se não ela com certeza me faria mastigar pedras de fogo. E falando em pedras, estava tudo indo bem, ela até parecia uma garota normal, até eu ver que tinha uma bola de fogo nas mãos dela. Sem dúvidas era filha do Magma Flamejante. 
No centro do salão, vejo um garoto de pele morena, alto e magro. Sua pele se esticava excessivamente e sem dúvidas ele queria chamar atenção dançando Michael Jackson no meio do salão com os braços iguais aos de um boneco de posto. Acabei não me segurando e comecei a rir. 
- Filho, olhe aquele garoto – disse meu pai apontando com os olhos. 
Quando me viro para ver o que ele tinha de tão especial, vejo o garoto se multiplicando em dois, como uma bactéria. Olhos castanhos e cabelos da mesma cor, algumas espinhas na cara – coisa de adolescente, não julgue -, e uma faixa vermelha na testa – tá, agora pode julgar se quiser. 
- Oh! Esse poder com certeza é muito útil! – digo surpreso. 
- Sim, aqui você irá encontrar de tudo, filho. Espero que goste. 
- Já estou gostando! – respondo sorrindo. 
- Olhe, o diretor chegou – ele diz, apontando para o diretor.
O homem parecia estar beirando a terceira – ou quarta – idade. – É... não sou muito bom com idades. - Era um pouco calvo e tinha tantas rugas que lembrava um bulldog inglês. Mas apesar de tudo, parecia ser boa pessoa. Ao seu lado o chão começa a se levantar e criar uma escada para ele próprio até que ele fique alto suficiente para que todos o vissem. 
- Pai, esse é o... – começo a dizer, mas me falta ar. Não acredito, eu estava bem diante do super-herói mais incrível dos anos setenta. 
- Magnitude. – Responde meu pai com os olhos brilhando. 
Magnitude. Seus poderes eram fenomenais, ainda mais quando ele estava com os pés no chão. Magnitude podia criar desde terremotos até controlar a própria terra, pedra, ou o que quer que fosse feito com cimento. E melhor, tudo com os pés! Não acredito que ele está bem diante de mim. Infelizmente a carreira de Magnitude acabou quando ele tinha apenas trinta anos, por conta de um ataque em massa de cinco vilões. Eles conseguiram quebrar suas duas pernas e então ele nunca mais fora o mesmo. 
- Depois vou tentar conseguir um autógrafo – digo. 
O diretor-vovô-Magnitude da inicio então a seu discurso de boas vindas.
- Alunos, é com grande honra e prazer que recebemos vocês na Escola Sigma de Heróis.- diz ele abrindo os braços e sorrindo. – Peço a gentileza de que todos os vinte e dois novos alunos compareçam ao refeitório para o primeiro almoço na escola. Todos acompanhados com seus devidos super-heróis, obviamente. Depois disso iremos para a área de lazer começar a iniciação e divisão de grupos!
O velho termina todo seu discurso e então da às costas e segue em direção ao refeitório. 
- Pai, alguma dica? – pergunto enquanto acompanhamos o velho. 
- Sim. Não coma demais, acho que você vai correr o risco de vomitar depois – ele responde sorrindo de canto e então entramos no refeitório. 

...

Depois do que meu pai me disse eu havia colocado na minha cabeça que não comeria mais nada. Com certeza eles tinham algum tipo de trote logo depois do almoço, e sem dúvidas estava bem diante da minha primeira prova de resistência na Escola Sigma de Heróis. Mas o banquete para o almoço era maior do que qualquer banquete que eu já havia visto durante toda minha vida. A coluna de comida Self-Service beirava seus trinta metros, se somados todos os lados. O banquete tinha formato de U e não existiam quaisquer resquícios daquelas merendeiras que colocam a gororoba toda no seu prato. As mesas são muito parecidas com as que temos em todos os outros colégios, só que como somos poucos, sobrou muito espaço. A textura e arquitetura do lugar era algo tão simples quanto o refeitório de qualquer outra escola. Pergunto-me se no QG Ômega também é simples como aqui. Toalhas brancas cobrem a mesa e os pratos eram todos fundos. Colheres, facas também são como quaisquer outros talheres, exceto os garfos, eles tinham uma variedade de duas a cinco pontas estavam livres para ser pegas por qualquer um que fosse comer.
- Pai... – digo quase não ouvindo minha própria voz. 
- O que? 
- Tem palmito e hambúrguer, sabe o que isso significa? 
- Não sei Andy, o que? 
- Que acho que prefiro vomitar depois. – Respondo enquanto partia para a fila da comida junto com os outros novatos. 
No meu lado direito estava um rapaz pequeno e com um óculos gigante, ele virou para me encarar e notei que seus olhos eram completamente brancos. Não havia pupila e nem íris. Ele parecia totalmente cego e ainda usava óculos. Nada mais faz sentido. Não aguentei segurar a curiosidade e acabei perguntando.
- Por que você tem os olhos assim? – pergunto totalmente inconveniente. 
- Porque eu enxergo no escuro e tenho visão microscópica – responde ele. 
- Oh, interessante! – respondo sorrindo. 
- Pois é, o único problema é arrumar uma namorada – responde ele um pouco infeliz. – A maioria das garotas passam maquiagem demais e isso fica absurdamente deplorável a olho microscópico. Outras não se cuidam. E ah, quase me esqueço daquelas que me acham baixinho, estranho, nerd e esquisito. 
- Por que esquisito? – pergunto de volta. 
O garoto nem parou para pensar, respondeu como se fosse à coisa mais comum do mundo. 
- Gosto de comer peixe. – E realmente era a coisa mais comum do mundo.
- Mas isso não é esquisito... Mesmo eu não comendo. 
- Gosto de comer peixe vivo. – Não, não era. 
- Eca. – digo. 
- Viu só, você também me acha esquisito – responde ele chateado, colocando em seu prato dois peixes de dentro de um aquário que estava junto ao banquete e saindo do resto da fila. 
Não entendi mais nada, apenas tentei parar de julgar os outros. Peguei três hambúrgueres, seis pedaços de palmito e um pouco de beterraba e segui para a mesa onde meu pai estava esperando. 
- Já fez alguns amigos, filho? – pergunta ele. 
- Eu até estava tentando, mas ele come peixe vivo – respondo comendo meu primeiro hambúrguer. 
- Entendi... Bom, para alguém que ia passar mal, você não pegou muita coisa. 
- Pois é, pensei melhor depois que me imaginei tentando mastigar um peixe vivo enquanto ele se mexe e respira dentro da minha boca. 
- Eca. – Diz meu pai. 
- Exatamente! 
Todos terminavam seu almoço, quando o diretor volta para um novo comunicado.
- Peço desculpas pela falta de uma informação. Esqueci de me apresentar – sorri ele. – Meu nome é Tom Thomas, Magnitude nos velhos tempos e Totó para os íntimos. Mas como vocês calouros não são íntimos, me chamem por Tom, Diretor Tom. Agora peço a vocês que saiam por aquela porta – diz ele apontando para uma porta do lado de onde estava o banquete. Uma porta de madeira e bastante velha. – E, ah! Antes que eu me esqueça, caros super-heróis, vocês estão dispensados. De agora em diante é por conta deles! – diz o diretor e meu pai me solta um olhar carismático e orgulhoso. 
- Boa sorte, Andy. – Diz meu pai me abraçando. 
- Boa sorte para o senhor lá fora, pai. – Devolvo seu abraço. 
- Diga a sua irmã que estamos com saudades dela, está bem? 
- Combinado. – Sorrio para ele. – Também estou com saudade da Lori. Então, alguma outra dica? 
- De que adianta eu dar dicas se você não resiste nem a comida? – ele pergunta de volta. 
- Desculpa, mas comida está fora de qualquer dica que possa ser dada – sorrio. 
- Filho, apenas lembre-se que é para seu futuro, meu pequeno herói. E se ainda não desenvolveu suas habilidades, assim como sua irmã havia desenvolvido, não esquente a cabeça, daqui a pouco sua memória fotográfica vem e você fica tão bom quanto ela! – A forma como ele dizia “memória fotográfica” quase me deixou com enjoo de tanto açúcar que ele havia colocado nas palavras, mas tudo bem, não irei julgá-lo.
- Pai, é sobre isso que eu gostaria de conversar... Meus poderes... 
- Não esquenta com eles, tenho certeza que virão! – diz ele me interrompendo novamente. – Ih, todos estão saindo! – Ele me abraça novamente e bagunça meu cabelo. – Adeus, filhão. Coragem. E não se esqueça, primeiro sua equipe, depois você. – Com isso meu pai termina com uma piscadela e então vai para fora do refeitório junto com os outros alguns outros super-heróis. 
Agora eu estava por conta própria. E atrás daquela porta uma infinidade de coisas aguardava ansiosamente por mim. Não pude deixar de soltar um sorriso de canto enquanto caminhava em direção a ela. 
Quando o diretor abriu a porta uma garota trombou em mim e nós dois caímos no chão. 
Ela tinha os cabelos castanhos e olhos verdes como esmeralda. Vestia um shorts jeans e uma regata azul. Ela olhou nos meus olhos e quando preparo para me desculpar, ela acaba com a magia do momento. 
- Cuidado, seu idiota! – ela disse colocando a mão no ombro. 
- Ei, eu não fiz nada. A culpa foi toda sua! – respondo. 
- Não foi não, você que não olha por onde anda. 
- Vamos ficar aqui discutindo ou vamos ver o que tem lá fora? – pergunto. 
- Não iria ficar perdendo meu tempo discutindo com você mesmo. 
- Ótimo – respondo secamente. 
- Ótimo – ela retruca.
- Ei – aquele mesmo garoto que estava dançando Michael Jackson uns momentos antes para na nossa frente e nos chama. – Querem uma ajudinha? – diz ele esticando os braços (literalmente) para nós dois. 
- Eu não preciso de ajuda – a garota responde se levantando. 
Enquanto que eu, aceito a ajuda do rapaz. 
- Obrigado – digo. – Prazer, Andy. Andy Champler. 
- Prazer Andy, meu nome é Jhonatan Spring. Mas pode me chamar de Jon. E você? – ele pergunta para a garota de olhos verdes. – Qual seu nome? 
- Maddie – ela responde rapidamente. – Agora vamos logo, eles todos já estão lá fora. 
E com isso nós três saímos pela porta de madeira com os outros dezenove alunos e ficamos frente a frente com mais de oitenta veteranos. 
- Estão todos aqui, Totó? – pergunta um garoto alto de cabelos lisos castanhos jogados para um dos lados.
O diretor para por um momento e conta em quantos estamos. 
- Estão sim, Caspian. Podemos começar a iniciação! – anuncia finalmente o diretor. 
- Ótimo. Calouros preparem-se para a iniciação – diz Caspian para nós. – Vocês vão estar acabados ao por do sol. – Ele solta um sorriso travesso e meu coração dispara. Vejo Lori próxima a Caspian. Nossos olhos se encontram e consigo ler tudo o que eles dizem. Lori estava tentando apenas me desejar boa sorte.

Alison Iared

20 anos, apaixonado por teatro desde pequeno. Cursa o segundo ano de Engenharia de Produção. Gosta muito de filmes e séries sobre heróis, ficção, aventura, desenho e comédia. Eclético para livro e música. Gosta de desafios e é muito teimoso. Tem a paciência do tamanho de uma noz para coisas que não são do seu interesse. Sempre quis ser o Power Ranger vermelho.

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15 comentários:

  1. Too ansioso pra ler esse seu livro viu, herois e uma coisa tao legal rs. Com certeza ta na minha lista de leitura!

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  2. Ai gente ,tá muito bom isso.Cade o próximo capitulo de uma vez.

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  3. A++++++ Opppa ... Muitoo Boom... Nossa agora que eu reparei as duas mulheres ali no fundo ¨ rsrs ¬¬ aaiiii... to adorando comentar tudo ◕‿◕

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  4. Yaaaaaaaaaaaay, Ali! Continue escrevendo (ou publlcando, se já estiver escrito) que está awesome. *u*

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  5. Muito bom esse capitulo, Alison vc já escreveu mais algum ou tem previsão para quando vai ter mais?

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  6. Quando teremos maaais??

    Andy <3



    De primeira eu n consegui ver as duas na imagem..hahaa...

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  7. Eita Super-Herói :v
    Gostei da narrativa. Me identifiquei com o Andy heheh. o/ Você escreve pakas ;)

    Alison, você pretende publicar?????

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  8. Quando sai novo capítulo? Amo Heróis, quero ver esse livro publicado.
    Parabéns, você escreve bem. E essa imagem, linda, genial.

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  9. Até o fim do mês tem mais! Obrigado! :D

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  10. Eba! Fico muito feliz que tenha gostado e se identificado com ele. hahaha

    Por enquanto a história é feita para vocês, mas se surgir a oportunidade... hehehe

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  11. Já tenho até o 4° capítulo escrito, mas a ideia é postar uma vez a cada 7~12 dias.

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  12. É muito bom livro de Herois gosto bastante .

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